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Ocorreu-me uma ideia

Incólume está o sofisma abstrato da difusa razão,
em fragmentos flutuantes no impossível existir,
como cadáveres das incomunicabilidades sonoras
...
e nas intrínsecas reflexões do distante realismo.

Já a vida, condenada nas perpétuas futilidades,
é apenas a terminal doença cúmplice do tédio,
em espectros da passiva ortodoxa não-expressão,
de tantas traduções de línguas mudas e equivocadas.

E nestas demandas derrotadas do esforço mínimo,
torpor espontâneo da cerebral permissiva violação,
expondo sentimentos rupestres qual a pré-história,
em contradições surreais, dúbias e arbitrárias.

Por fim, a suscetibilidade forjada em falsas verdades,
agoniza no leito metafórico do moribundo processo,
que entroniza no corpo sem cabeça do débil poeta nu.
Amanhã precisarei compor este inútil poema.

 Autor Convidado: André Bianc
www.pedradasepoesias.blogspot.com

EXTRAVIO

Das palavras de pedras tão doloridas,
doenças e crenças sem diagnósticos,
habita a perfídia, exata conjugação,
na dureza das certezas de uma vida.

Desejos, memórias, sonhos, onde estão?
O amargo beijo dos amantes poetas,
nas presciências das nossas ignorâncias,
independente da dignidade que apresenta.

As imobilidades mórbidas e periféricas,
no plano do realismo histórico dos remorsos,
marcado a fogo, símbolo morto do não-nexo.
Responda a minha carta extraviada.

Autor Convidado: André Bianc

http://www.pedradasepoesias.blogspot.com.br/

Relatividade


 Relatividades que compõem o espaço,

discrepâncias múltiplas do existir e ser,
...
tendo cada corpo o seu próprio compasso
e o descompasso do outro para entender.

Se para uns é apenas mais um pouco
e para outros tudo é demais, até infinito...
Entre parâmetros do normal e o louco,
negando todo o questionamento aflito.

E se toda a ótica da existência fosse relativa
tudo seria composto de absolutamente nada,
sequer haveria a alma humana intuitiva
E a descida poderia ser vista como escalada.

Ciências, religiões malditas e a vã filosofia,
inseridos nestes confusos e discutíveis contextos,
se para uns são muletas ou meio de vida
e para outros são meros irreais pretextos.

Relatividades que compõem o espaço,
discrepâncias múltiplas do existir e ser,
muito além do extremo humano cansaço,
na existência que pensamos viver.

Autor Convidado: André Bianc

SONHO INFANTICIDA

Num moinho surreal, eu fantasiava
Eloquentes sonhos de mil intentos,
Entre fracassos, o eu-herói estava
Nas batalhas intensas do pensamento.

Perdi-me então, pelo adulto caminho
Onde só existem exércitos vencidos,
Sem rumo e vizinho, fiquei sozinho
E longe do meu personagem preferido.

Por fim, eu fui expulso daquela história
Das raras páginas imaginadas de criança,
Cresci, foi-se o sonho, a luta e a glória
Não fui sequer um Sancho Pança.


Autor Convidado: André Bianc

Nu...Ânsia

Uma mulher................................................( o quarto )
Real o sonho
Dia qualquer
Não suponho.

A nossa idade..............................................( a escada )
Cronológico engano.
Abandono , identidade
Calada-cilada , perda e dano.

Nu...Ânsia - declina......................................( a queda )
O nu imaginado.
Eu-esquina
Ignorado.

Noite fora...................................................( o fim )
Não há
Hora
H.

Autor Convidado: André Bianc

Sintaxe Conceitual

(Ao Confrade Alexandre Malosti)

Latentes sentidos da intuição virtual
Nasce o poeta-escultor do sobressalto,
Nos paradigmas hospedes do convívio
E abraçado a negação do caos-óbvio.

Verso secular adormecido na linguagem
Argila calada e inacabada da escultura,
Descrente da glória e de outras formas
É um calidoscópio da busca impossível.

Seus ponteiros céleres, o relógio perdido
Nas angústias das exatas reflexões criativas,
Estão as projeções de mil possibilidades
Guarnecidas por sentinelas afro-místicos.

E toda a inquietação pelo artista gerada
Obsessão nobre do novo, ora concebido,
Resistente a experimental vida do conceito.
Vencido, amanhã ele saíra para trabalhar.

Autor Convidado: André Bianc

SOBRE O AMOR

São as Incidentais forças cognitivas
O instinto indomável da perpetuação?
Ou irracionalidades incompreendidas
Dos incompatíveis sentidos opostos?

O amor, contraditórias convivências
Busca obstinada do querer no espelho,
Das fátuas felicidades, puro hedonismo
E desencontrado no efêmero eterno.

Mas o inevitável sempre acontecerá
O modelo perfeito, exato, imaginado,
E rivalizado nas certas expectativas.
Pergunto: Foi bom para você?

Autor Convidado: André Bianc

http://www.pedradasepoesias.blogspot.com/

Manifesto da Confraria do Coreto


Nós poetas perguntamos: ser marginal é não correr atrás de padrinhos literários de grandes editores?
Ser marginal é não se sentar em fúnebres academias para molhar o biscoitinho?
Ser marginal é não fingir de mudo, surdo, burro quando pisam o seu pé?
...
Ser marginal é tentar viver, lutar e ganhar a vida com a poesia minha alegria?
Ser marginal é não jogar esse jogo, então temos a declarar: Somos poetas marginais e mais, magistrais e liberais e como tais declaramos criada a Confraria do Coreto.

Órgão que lutará pelos direitos:

01 – Direito de ocupar todos espaços culturais da cidade, inclusive aos fins de semana.
02 – Direito a assistência psiquiátrica e jurídica.
03 – Ser reconhecido como trabalhador.
04 – Direito ao dinheiro.
05 – Livre acesso a qualquer gráfica da união.
06 – Livre acesso a botequins e palácios da cidade.
07 – Isenção de flagrante.
08 – Subsídio no preço do papel.
09 – Direito a bolsa livros.
10 – Direito a vale bebidas.
11 – Aposentadoria por tempo indeterminado.
12 – Reconhecimento do registro da Confraria do Coreto
Como documento único e infalível.
 
Autor Convidado: André Bianc

Poema Medíocre

( Ao meu amigo Alexandre Malosti)

E as palavras serão construídas
Em alicerces frios e fleumáticos,
Com regras tolas e instituídas
Por críticos vãos e burocráticos.

Nascerá o poema premeditado!
Supra sumo, o premio literário,
O verso, sentimento engessado
E prisioneiro textual arbitrário.

Sim, executaremos tal construção
Mas sem jamais perder a ternura,
Plagiando o Che Guevara, então
Versando o fracasso em doçura.

Mas observem com muito cuidado
Loucos poetas do lugar comum...
Pois tudo já foi escrito, em demasiado
Em livros não do lugar nenhum.

Autor Convidado: André Bianc

Depois de um sonho

Primitivamente a minha intenção
Modelar a estética do inconformismo,
Mas na hora absurda, a absolvição
Da opressiva imagística reiteração.

Causou-me obliqua estranheza
Este amor de construção formal,
Inspirado na litografia da incerteza
Em difusas imagens do moral.

E no impecável abismo, mais um passo
Ato final simultâneo da consciência,
Nesta metafísica ocultista, nada faço
Senão embebedar-me da vã existência.

Após o jantar, restaram os seus ossos
Pelos campos vazios de muitas camas,
Já habitei em muitos desses destroços
Inúteis reinados, arruinados e em chamas.

Primitivamente a minha intenção
Roubar-lhe o admirável magnetismo
Que se esvai teu corpo nu, clarão!
E colide com meu egocentrismo.

Autor Convidado: André Bianc

O Oboé

O Oboé chora sua melancolia
E um moribundo ao pé do outeiro,
Observado por um corvo traiçoeiro
Repousando sobre o símbolo da heresia.

As portas escuras fechadas, o sino calado
Lá dentro a velha dona já adormece,
Antes reza, promete e depois esquece
Do legado deixado pelo crucificado.

Somente as velas, testemunhas insistentes
Damas brancas, chamas contra o vento
Poucas iluminam o triste convento
Mas sem alcançar as almas penitentes.

E a noite, horas mudas, a madrugada
Quando a cidade calada dorme ainda
Jaz meu inútil corpo, a vida que finda
Entre sonhos, poesias e mais nada.

Autor Convidado: André Bianc

Uma outra canção

Trêmula e enlouquecida
A tua noite não sucedeu
A paixão feroz e corrosiva
Deste teu desejo ateu.

Abrirão nuas as portas
Da insólita e incerta aurora,
Paisagem, cinzas mortas
A solidão nos espera lá fora.

E a cada passo vacilante
Talvez ainda te encontre com vida,
Mesmo sem saber se é relevante
Viver está existência falida.

Então como identificarei você?
Maquiada de tanta ambigüidade,
Se não consigo sequer reconhecer
A minha própria identidade.

Restará enfim, a finada magia
De te amar mesmo sem motivo
E conviver com tamanha agonia
Ao saber que agora apenas vivo.

Trêmula e enlouquecida
A tua noite não amanheceu,
Abraçarei tua sombra viva
E o sonho que já morreu.


Autor Convidado: André Bianc

Desengano

Finalmente, após conquistá-la
O que hei de fazer?
Colocá-la em pedestal, adorá-la
Ou simplesmente obedecer?

Obedecer ao meu animal instinto?
Impondo-a o meu branco sangue
A invadir teu íntimo recinto
Transformando seu corpo em mangue.

Não, não fiques comigo, amada
Lutes contra esse primitivo amor,
Pois nada, absolutamente nada
Valerá um segundo de sua dor.

Será um sonho, um pesadelo
Uma obsessão cruel qualquer
Ou um capricho, paranóico zelo
De um louco por uma mulher?

Entendo que não te mereço
E mais ainda o quanto te amo
Perdi-me em você, desde o começo
Ficou apenas este poema: Desengano.

AUTOR CONVIDADO: ANDRÉ BIANC

AMANHECEU

(Para aquela que nunca será minha)

E você, não amanheceu.
Saltou louca para o infinito,
Calando o meu surdo grito
Depois, nada aconteceu.

E você não renascerá
Sem alma e sem guardiões?
Só tua mão cega ostentará
Minha cabeça as multidões.

Mutirões de famintos intentos
Ilusões seculares e incertezas,
Que a ferrugem desses tempos
Deterá a hora suja em sutilezas.

Genitora de mágoas, rugas no rosto
Trôpegos desejos condensados,
A busca do sol sempre posto
Em horizontes inalcançados.

E a vã alvorada? Condenada e presa
Em tua cama, o sexo vil, mil razões
Ansiedades, a real aspereza
Dos desgraçados corações.

Mas nesta ausência de luz
Em teu olhar de bicho e gente
Omitirá a ira que traduz
Nossas relações inconseqüentes.

E tuas vestes, não mais
Vestirá teu corpo nu, vela no breu
Clareando meus infindos umbrais
Finalmente, infelizmente amanheceu.

Autor Convidado: André Bianc

Para um Visconde Escravagista

Foi um homem que todo mal fazia
Era tão cruel este monstro odiado,
Que acabou numa tumba fria
Esquecido, podre e excomungado.

Dele, foram pele, órgãos e músculos
Um belo banquete devorado,
Pelos vermes, convidados tão minúsculos
Que se fartaram da carniça desse diabo.

E na esquife negra, impassível e estendido
Jaz o seu corpo inútil e putrefato.
Ninguém mais ouve sequer um gemido
De algum escravo por ele torturado.

E esse seu sorriso falho e debochado
Com seus ausentes globos oculares,
Da sua caveira, Oh! Desgraçado
Há de queimar por infernos milenares.

AUTOR CONVIDADO: ANDRÉ BIANC

LÁPIDE (RUA L, QUADRA 20, CAMPA 18)

Guardião dos sentidos opostos
Todos os elos serão quebrados,
Dos dias iguais sobrepostos
Primórdios medievais passados.

Habitante da mal fadada era
Nunca poderá sequer conter
A volúpia de alguém que espera
Os sonhos que inda possa viver.

Libertar as almas dementes
Presas em paredes horizontais
Viagiadas por negras serpentes
Viajantes de periféricos umbrais.

Guardião dos sentidos opostos
Todos os elos serão quebrados
Declamarei abraçado aos mortos
Meus poemas jamais declamados


Autor Convidado: André Bianc

Solilóquio do grande Arka

Entre álcool, livros e fumaça
Ele tentava declamar a poesia
Em tantas tentativas, vociferava
Na madruga de pura poética orgia.

Até o tal do Sade, o Marquês
Lá do inferno, nada entendia
Pois nunca chegava a vez
Do coitado, fazer o que queria.

E entre o coro de uma voz só
Naquele espetáculo tão belo
Os amigos repetiam sem dó
Solilóquio do pequeno Otelo.

Autor Convidado: André Bianc

CANÇÃO CONFUSA

Sou o acontecimento adiado
Em tantos enigmas vazios
A face no espelho entediado
Por detrás de espíritos vazios.

Sinto a dor do choque real
E do inconformismo moderno
Flores bóiam em águas de sal
Pelas ondas do amargo eterno.

Ouço o meu poema imaginário
Sendo declamado pelos mortos
Figurantes de um velho cenário
Em atos, falas e roteiros remotos.

Ah ! cidade minha dos ausentes
Das letras que tecem finas malhas
Em cada fio do meu inconsciente
E nos frios cortes das navalhas.

E fica o poeta e o seu ócio dilena
Delirando em sua pseudo-arte
Sem saber que é extrema
A ingênua iria que em teu peito arde.

Morre o homem , o pífio anti-herói
Coadjuvante desta confusa história
Terás apenas a ferrugem que corrói
As lebranças de sua vã trajetória.


Autor Convidado: André Bianc
http://www.andrebiancpoeta.blogspot.com/

MISÉRIA

Voaram meus pensamentos ousados
Com as asas da noite vã e estérea
Pelos vales psíquicos famigerados
Desprendidos da humana matéria.

Inda que mesmo ora involuntários
Sucumbem numa compulsiva febre
Em cada canto dos fatais imaginários
E com todo o coletivo que se quebre.

E terão eles a anunciada liberdade ?
Como o animal do primitivo instinto
Entre as lutas da ilusão e da verdade
E nas ações que represento e sinto.

Voaram meus pensamentos cansados
Secou todo o sangue na frágil artéria
Vamos morrer de certo enganados
E sepultados em nossa própria miséria.


Autor Convidado: André Bianc

CONTRA A CORRENTE

Romper com os paradígmas autoritários
Criando um novo pensamento existencialista,
Para que os modelos medíocres e imaginários
Fiquem restritos apenas aos psicanalistas.

Entender que a loucura é a mais pura razão
E vítima desta roda-viva que tem nos esmagado,
Exigindo-nos a todo instante da cruel competição
Resultados convincentes e por ela manipulados.

Ter a consciência da nossa efêmera passagem
Por esta vida que somos meros coadjuvantes
E quem sabe tentar inserir nesta paisagem ?
Nossa figura na breve posteridade entediante.

Romper com os paradígmas autoritários
Criando um novo pensamento existencialista,
Conquistanto cada canto do tempo perdulário
Mesmo que toda retrógada corrente resista.

Convidado: André Bianc