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DIÁLOGOS A MEIA LUZ - PARTE VI


Adentrou no recinto
Tomou um absinto
...
E não minto...
Seu olhar era faminto
Pode ser instinto
Mas, sinto...
Nada entre nós está extinto
Estamos em um labirinto
Com um cinto...
Buscamos ser distintos
Mas, para ser sucinto.
Vamos indo...
Para a correnteza de um rio tinto
Que banha um querer infinito.
 
Autora Convidada: Luiza Santos

DIÁLOGOS A MEIA LUZ


Digo, e logos existem...
...
Logo, eu sou um Sansão.
Tal como um sol em ebulição.

Digo, inspiro e transpiro.
Luto porque estou Vivo.
Ainda um hino em construção

Digo, eu sei o que sinto.
Ligo a ti ao umbigo.
Segurança e sedução.

Digo, sei que não minto,
Leio-te, sou uma Dalila,
Dócil na sua mão.

Lancei um sorriso...
...
Ceava ansiosa por isso
Havia cerveja na mesa
A pressa seria surpresa

Outrora represei sentimentos,
Sei que recusei presentes
E usei argumentos ausentes
Neste sublime momento.

Limites milimétricos
Ancorados em corpos místicos
Rompiam silêncios,
Revelando nossos desígnios

A sala decorada com margaridas
E nada combinado, ainda...
Mas, sabia que tu me querias.
Corei, quando me chamou de linda.

Autora Convidada: Luiza Santos


SENTE-SE

Não tenha pressa, pessoa amada.
Sente-se e sirva-se de biscoitos amanteigados
Não fique envergonhado, se sentir-se acalentado.
Já faz tantas auroras que te quisera ao meu lado
Demore-se na saída e me enamore na cozinha

Sinta o perfume do jasmim,
Que brotou do meu jardim
Não te preocupes com que há de vir
Tens tanto de mim
E de ti, só peço um sim.

Sente-se, sirva-se e sinta-me.
Inteira e agora
Porque já está na hora
De surgir à aurora
E sem ti, fico perdida de mim.

Não me negues a presença.
O cheiro e o querer
Não mintas que não te importas.
E por favor, não tranque as portas.
Tenho pressa da sua volta.

Autora Convidada: Luiza  Santos

Somos Um

A beira de um rio
Eu rio serena
Ao olhar o brilho que emana de ti.

Corre pelos meus pés a água fria
Refresca minha mente turbulenta
E nada me impede de mergulhar

E adentrar neste universo
Sem verso, mas eterno.

Você brinca com os brincos que me deu
E eu fico tão solta, tão sua.

Ficamos nus perante os espelhos
Não vemos e não somos mais
A não ser UM

Autora Convidada: Luiza Santos

Enquanto o sono não vem...

Eu estou a caminho...
De me aconchegar ao ninho, cá comigo.

Deitar-me nos peitorais dos quintais,
Deixar a chuva cair e brincar nos quadris
Sair de mim, sem arredar o pé daqui.

Comer um caqui e me lambuzar com mel
Olhar o céu, cerrar os olhos e cuspir o fel.

Vou indo...
Descobrir as matas e tudo que me mata

Leve e pequena lançar-me vôo
Bater as asas, sem ferir ninguém.
Ater-me ao farfalhar das palmeiras

Repousar em meros devaneios
Mirar o veleiro que se foi...

Cair em braços de Morfeu
Ao som de Maria Callas
Tudo se cala
Eleva-se a alma
Candeia – se os Elfos
E liberta – se Prometeu

Autora Convidada: Luiza Santos

Irmão Lobo

Se a pele é de cordeiro, eu não sei...
Mas, és um lobo!
Um visionário, que a escuridão não ofusca o brilho,
Selvagem lapidado pela luz celestial
Heróico guerrreiro e ancestral mítico
És um lobo!
Guardião das forças ocultas
Alquimista da literatura
Manipulador do barro e criador de novas criaturas
Conhecedor dos segredos da selva e o curso dos rios
Se a pele é de cordeiro, eu não sei...
Mas, és um lobo.
Um mito e nisto eu não minto.


Autora Convidada: Luiza Santos

Manhãs de Sol

Não temas o crepúsculo.
Por que andastes por tantas manhã
vagando em suas sombras?

És uma morada cheia de luz
e exala um aroma ainda pueril.
Sua vida são versos maduros
que sempre frutificam.

Tens na fronte a marca da vitória
E gera, em dores de parto, a nova criatura
que não se cansa de ser um aprendiz.

Deixe ser tocado...
O verbo pousa sopre ti.
De passagem aquele que a face é o amor.
Tu és um sol e nunca está só.

Autora Convidada: Luiza Faria