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NATAL ESCROTO

Tão cansada de assuntos cansativos.
Época natalina sempre a mais escrota do ano.
Não vejo beleza no sofrimento de um homem,
Aliás, na minha infância a única coisa que sentia era medo.
Um livro de séculos atrás cheio de regras,
... Alteradas e deturpadas ao passar dos anos.
Um festival de hipocrisia digno de TV aberta.
Igrejas lotadas de pessoas que pecam 364 dias,
E agradecem em apenas um.
Metade de um país sendo “solícito” contra a construção de uma hidrelétrica,
Mas aplaude o festival de luzes comemorando sabe-se lá o que.
É tempo de redenção, é tempo de paz.
É tempo dizer eu te amo.
Porque um dia passa rápido.
E na outra semana não haverá espaços para sentimentos assim.
Vamos comemorar os gastos excessivos,
E que venha o carnaval!

Autora Convidada: Paola Martins

Filho do Nada

Eu que sou filho do nada,
Parente da escuridão.
Ajoelho nestas terras ingratas,
Num pedido de perdão.

Eu que vaguei em vida sombria,
Nos montes nocivos da penumbra ardente.
Passei dias às traças jogadas,
Numa dor sem fim bem forte latente.

Da existência eu sou pó,
Da vida alguém rejeitado.
Cantarolei dias e noites hinos de amor,
Para acabar num buraco jogado.

E tudo se deve a erros meus,
Que insisti em cometê-los dia a dia,
Disse que meu amor por ti já era acabado,
Sabendo que a vida inteira de amaria.

Autora Convidada: Paola Martins

O ROSTO DO MEU BEM

O rosto do meu bem,
Palavras não podem explicar.
É esculpido como uma peça bem rara,
Impossível de não apreciar.

E seus olhos castanhos carregam mistérios,
Que passo eu noites a observar.
Seus cabelos negros como a noite,
Que benção é poder tocar.

No teu corpo contemplo a gloria dos céus,
E sua pele mais macia que um algodão.
Sua boca vermelha como um morango,
Sem falar na perfeição de suas mãos.

Só o que não aprecio,
É seu coração bandido que insiste em maltratar.
Alem de meu corpo, minh’alma e minha vida,
Nunca hesitou de se afastar.

Autora Convidada: Paola Martins

O meu livro tem vários títulos

O meu livro tem vários títulos,
Mas em todos sei que vais encontrar.
Umas tristes linhas grafadas,
De uma pessoa que não soube amar.

Nem formatado, nem centralizado,
Todas as linhas em uma bagunça sem fim.
Tentei expressar o que sentia em vida,
E não consegui falar nada de mim.

Duvido que venda se exposto for em algum lugar,
Pessoas não gostam de livros assim.
De desgraças, prantos e lastimas,
Que brotam sempre no meu jardim.

E na morte padeço no anonimato,
O que escrevi repercussão  não tive nenhuma.
Dias e noites dedicados a escrever,
Para no fim apodrecer dentro de uma lacuna.

Autora Convidada: Paola Martins                                                                          

Cenóbio das Trevas

Sombrios mensageiros de capa preta,
Dos longínquos reinos de horror e morte.
Leve minh’alma impura e tristonha,
...
Destas terras ingratas que nunca tive sorte.

E dos vales escuros e agonias constantes,
De pessoas mundanas e pecados diversos,
Leve minh’alma impura e tristonha,
Para que termine esse meu livro cheios de versos.

E na lama que se faz minha nova morada,
No umbral de imenso fogo berrante,
Leve minh’alma impura e tristonha,
Para que eu pague meus dias errantes.

Maldito seja esse meu novo tempo,
De lastimas e sofrimento sei que hei de passar,
Leve minh’alma impura e tristonha,
Que na terra nunca soube o que era amar.

Autora Convidada: Paola Martins

Kitaro

Que ânsia descontrolada pela liberdade,
A fome de viver e a busca pelo desconhecido.
Não me limito nessas terras,
Que vou alem e sempre quero mais.
E ao som de *Kitaro meus sonhos ganham asas,
E eu voou, para o mais alto dos céus.
Eu não sou daqui,
Nessas terras não sei viver,
Talvez nem amar eu saiba.
Eu não quero o que esse mundo pode me oferecer,
Almejo algo novo, lindo e intenso.
Não quero regras, e não aceito limites,
Não quero sermões nem seguir condutas.
Quero ser eu mesma, nem que seja em minha forma depravada.
Quero pegar o intocado e sentir ser a primeira,
Não quero família, e nem quero amigos.
Quero apenas me encontrar.
E que sempre prevaleçam as minhas vontades,
Que isso seja meu hino.
Quero me colocar a disposição da mãe natureza,
Ser grande companheira do desconhecido.
Voar, voar, voar...
Sempre em busca de algo que não quero descobrir.
* Músico, compositor e multi- instrumentista japonês.       

Autora Convidada: Paola Martins