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Soneto ao grande amigo

Desde os primórdios desta triste vida,
privado de carinhos, de atenção,
minha alma, em via crucis dolorida,
...
entrega-se, sem luta, a depressão.

Tantas saudades tenho da acolhida,
entre beijos e abraços... tudo em vão!
Não passam de delírios, pois a lida,
se faz no lar da eterna solidão.

Mas Deus coloca sempre, neste mundo,
pequenas criaturas, que no fundo,
demonstram um amor descomunal.

E assim, ao adentrar no triste lar,
meu coração se alegra ao ver pular
meu cachorrinho em gesto fraternal.

Autor Convidado: Luiz Antonio Cardoso

AMIGOS (Soneto Alexandrino)

Meu triste coração, com restos do passado,
Não cansa de cantar meu belo alvorecer,
Onde já pequenino, avistava o estrelado
Céu, que acompanharia o meu desenvolver.

Alegre sempre andei, tão bem acompanhado
De amigos, de esperança e sem esmorecer,
Sabendo que teria alguém sempre ao meu lado,
A ofertar um sorriso... e a mão a me estender.

Por isso graças dou a Deus, meu Salvador,
Que sendo o Grande Amigo, Oásis desse amor
Que vemos pela Terra, apenas em resquícios,

Lançou em meu caminho amigos verdadeiros...
E quando triste estou, recorro aos companheiros
Que mostram um olhar distante dos meus vícios.

Autor Convidado: Luiz Antonio Cardoso

HAICAI MODERNO

Se você é Eva
eu brigo  incessantemente
para ser Adão.
 
Autor convidado: Luiz Antonio Cardoso

SUICÍDIO

Vivo
sofrendo a demasiada dor dos fracos
bebendo do cálice dos dissabores
ouvindo fortes desabafos sinceros
esculpindo a solidão inata e intrínseca,
que me mata, aos poucos... voraz!

Sobrevivo
sendo acusado e processado por tentar
amenizar a pena dos processados!
por querer salvar o mundo,
e não conseguir salvar
nem mesmo minha própria condição de condenado
perante os homens,
perante os sentimentos,
e perante minha própria incapacidade.

Morro
a cada noite de insônia
onde percebo que meus passos apressados
não saem do lugar...
quando vejo que a manhã deponsta no horizonte
e que o sol clareia a imperfeição dos meus atos.

... e torno a morrer
quando vejo que a vida se esvai,
a cada incapacidade de viver com esta dor
tamanha
que me reduz a um quase nada
que nem mais forças tem para lutar...

ainda há vida...
será que a mereço?

Autor Convidado: Luiz Antonio Cardoso

TROVAS

A vitória de que não tive
ao invés de derrotado,
faz de mim alguém que vive
num eterno aprendizado.

A paz que tanto almejei,
em sonhos que não tem fim,
estava onde não busquei:
- perdida dentro de mim!

Fitando o manto estrelado,
fica fácil compreender,
a pequenez de meu fado
perante o Divino Ser.

Coração desconsolado,
não podeis esmorecer,
se viver é complicado,
muito mais é não viver.

Meu pai forte... a velha enxada...
nosso sustento plantado...
linda aquarela pintada
na tela do meu passado!
 
Autor Convidado: Luiz Antonio Cardozo

NO PRINCÍPIO

No principio foi a solidão
esta deusa indiferente que inspira o padecer!
Depois vieram resquícios de esperança
na mais bela e radiante atenção,
que durou tão pouco...
que foi tão passageira...
que mal pude avaliar
o momento de transição
entre o pulsar da vida
tão linda leve e serena,
e o retorno da imensidão silenciosa
e obscura que persiste neste ser.

No princípio foi a desilusão,
este produto inacabado menos alegria e mais devastação!
Depois surgiu uma nova ilusão
utópica, como de costume,
mas linda, com sorriso disfarçado
ameaçando fazer-me feliz.
Mas tão logo desacreditei no infortúnio,
cai novamente lentamente, tristemente
na mais profunda desilusão.

No princípio foi a depressão
esta morte não-morte que embaça a visão!
Depois surgiu um alívio
momentâneo instantâneo fugaz
que veio definir a felicidade
como se ela existisse afinal.
Mas logo tudo voltou ao normal.
As pessoas voltaram a caminhar a passos largos.
A solidão voltou a rondar meu universo.
A desilusão fez-se a visão deste poeta.
A depressão venceu nova batalha, silenciosa.
A exclusão impôs-se a inclusão,
mostrando que discursos, palavras, poesias, versos e etc.
são vazios, quando não saem do papel.

Convidado: LUIZ ANTONIO CARDOSO

MANHÃ DE PRIMAVERA

Deserto! Quebradiço, o chão fenece,
e a morte sorridente, reaparece,
promovendo a mais triste solidão!
Os pobres animais em seus suplícios,
buscam dos alimentos, seus resquícios...
e a busca, quase sempre, faz-se em vão.
As plantas, desoladas, vão murchando.
A vida vai, aos poucos, se esgotando...
o povo vai se unindo em oração!
A fome vai plantando insanidade...
e Deus! Onde estará sua bondade,
que deixa sucumbir o meu sertão?!
O tempo vai passando... e um retirante
em passos lentos, segue, delirante
deixando para trás o seu torrão!
Seus filhos já nem brincam, desnutridos...
e o pobre agricultor, sente perdidos
seus sonhos de divina salvação!
Mas eis que teve fim a grande espera...
e foi numa manhã de primavera
que a chuva despencou em profusão!
E o povo numa grande romaria,
tomou a catedral, com alegria,
louvando a Deus, em prantos de emoção!
As plantas renasceram, tão viçosas...
os animais... os rios... belas rosas...
tudo, enfim, ressurgiu na imensidão!
E a vida, com imensa liberdade,
é fruto de uma eterna caridade
da mais bela e romântica estação!

CONVIDADO: LUIZ ANTONIO CARDOSO